quinta-feira, 29 de abril de 2010



introdução ao manual de sobrevivência universitária

Vida nova, fase nova. Tudo para você é novo. Finalmente você está no mundo da faculdade e tudo é surpreendente. O modo como tudo é diferente apesar de a proposta ser a mesma da velha escola ( você vai, pega a matéria, responde presença e tchau!) te impressiona duma maneira positiva.

1ª lição, pequena criança - A foto que ilustra o texto de hoje foi feita em algum dia do primeiro semestre ( meados do começo de 2008). Estávamos numa pequena turma e só sobrou esta foto desse intervalo de aula. SIM, você pode E DEVE se distrair, mesmo que seja nos pequenos 15 minutos que separam uma aula da outra. Claro que não todos os dias, todos os intervalos. Mas sempre que ouvir alguém te convidando pro famoso " Bar da Faculdade", vá em pelo menos 80% das vezes. Você receberá um bombardeio de informações direcionadas sobre um único assunto por cinco anos ( Arquitetura, tá? não esquece.) que sem uma pequena pausa, você torna-se incapaz de absorver os cerca de 3% de informação que absorvemos durante TODO o curso ( Isso foi comprovado,pasmem!) Ninguém aqui tá falando pra voltar do intervalo bêbado todos os dias pra aula, mas uma decida para um social com a galera não faz mal a ninguém.

Outra questão interessante a se discutir é como as salas vão enxugando semestre após semestre. No primeiro minha sala tinha cerca de 60 alunos e hoje mal chegam a 30. Isso porque já recebeu pessoas fazendo D.P., adaptação ( que vieram de outra faculdade e tem que cursar matérias que ainda não tiveram ) entre outros casos. Acostume-se pois isso é extremamente normal neste novo mundo. Todos aqui estão literealmente de passagem.Tenho um grande amigo que já está na faculdade desde 2007 e já estudamos juntos por 3 semestres ( 2 consecutivos) Alguns questionam se ele se formará junto com nossos filhos...

Portanto:

2ª lição - Aproveite ao máximo para construir amizades no período da faculdade. Pois num mundo tão competitivo, ainda mais num mercado fechado como o nosso, antes você ter um amigo pra dividir um projeto do que um inimigo pra brigar por um depois da formatura. Fica a dica.

Outra boa é você se aproximar dos professores. NÃÃÃO to falando de levar maçãzinha toda semana, okay? Mas na faculdade os professores( ahm...nem todos, tá? para isso precisa usar o feeling, saca?) são bem mais abertos ao diálogo e ao coleguismo - já puxamos professor pro bar certas vezes...- E pra ele estar na tua cara falando aquele monte de teoria que você precisa saber, pode ter certeza de que bem gabaritado ele ( ou ela) é. Muitos deles dirigem seus próprios escritórios. Se você ganha a simpatia de um deles, já é 50% do caminho pro seu futuro estágio feito. Ou de pelo menos uma boníssima indicação. Como o mercado da arquitetura é um tanto fechado, praticamente todos os arquitetos de topo se conhecem. E tenha certeza de que você tem aula com pelo menos 2 deles. Já aproveitando o gancho, digo mais: conheça seus professores. Busque informações na internet de seus curriculuns e se surpreenda. Tem professor meu que tem projetos espalhados pela Europa inteira !!

Mas como nem tudo são flores, não deixe-se iludir por este mundo totalmente novo, igual porém diferente da velha escola.
Ir para o bar após as aulas ( ou uma tequilinha entre uma aula e outra, não é verdade T.B.V.?) Fazer novos amigos e dar muita risada é muito bom e faz parte do "pacote universidade". Mas os professores são exigentes e você tem que se esforçar pra cumprir o programa. Impressionar o professor com seu desempenho?! só consegui impressionar o de desenho, mas não me esforcei nem puxei saco de ninguém como os habituais fazem. Não faça o que não está dentro de suas possibilidades. Cumpra o programa do jeito que eles querem e não haverá erro. Tire suas dúvidas dentro de sala pois você irá projetar muito sozinho em casa e não terá o professor do teu lado nestas horas ( geralmente de madrugada...vai passando o café!) e os primeiros semestres TODOS os desenhos são a mão, okay? portanto nada de achar que vai chegar e bombar no AutoCad, porque não é bem por aí. E haja dinheiro pra gastar com Pentel 0.3/0.5/0.9 ( que você perderá no mínimo 3 por semestre) e muito, MAS MUITO papel manteiga ( de desenho!! não vale pegar aquele que sua vó usa para cozinhar porque N-Ã-O é aquele.)
Já que estamos falando de uma faculdade de artes, todo este material que você precisará ( Lapiseiras - Pentel - , todos os papéis, esquadros, escalímetros etc) Tenha certeza que tem alguma papelaria na bunda da faculdade que tem tudo o que você precisa e tudo aquilo que você achava que não existia numa papelaria. Não perca tempo indo na papelariazinha perto de casa porque "é mais barato" pois estes materiais específicos você só encontra nestas papelarias. O preço pode ser mais elevado, mas você já está do lado da faculdade e certamente lá tem o que precisa.
No mais, beba muita cerveja e dê muita risada, claro sem que isso prejudique seu desempenho nas aulas, pois os bares são consequência e não causa! Descanse bem quando você puder, pois precisará abrir mão de algumas noites de sono em semana de avaliação, provavelmente. E invista no social com os seus novos colegas e professores. AAH, e não preciso falar para estudar, certo?

Até o próximo texto!

quarta-feira, 28 de abril de 2010



Adeus colegial, bem vinda Faculdade!

Desde pequenos nos empurram a leve obrigação de seguir uma carreira, cursar uma faculdade, "tornar-se alguém na vida" ( essa pra mim é a pior...) ou simplesmente continuar seus estudos.

Você até então leva aquela vida ( MARAVILHOSA!) de estudante medíocre e conforta-se com essa situação. Claro que, ao passar dos meses ( e a proximidade do tão temido vestibular) a pressão para a escolha do que você irá fazer - ou pelo menos pensa em fazer - pro resto da vida aumenta gradativamente. Você vive aquele clima de juventude eterna até que chega Janeiro do seu 3ºano do Ensino Médio e a sensação que você tem é que a reta final do caminho pelo qual você veio andando desde o primário terminará num abismo e o vestibular - ou melhor dizendo, sua aprovação nele - será sua asa delta.

Alguns pontos para serem repensados:

1º - "Ser alguém na vida" não está diretamente ligado ao fato de ter ( ou não...) curso superior. Muitos profissionais (tá, são poucos, mas vale o incentivo!) atingiram status e conforto profissional tendo muita persistência e auto-estima, além claro de uma boa idéia QUE VENDESSE.

2º - O Vestibular se não fosse encarado da forma errada ( no meu ponto de vista, tá bom espertinho?) seria uma barreira muito mais fácil a ser derrubada por pessoas que ainda cheiram leite na pele e já tem que decidir o que fazer - ou não - para o resto da vida.

3º - Não é por que você decidiu fazer Arquitetura que você será o próximo Niemeyer ( que aliás já está próximo do primeiro andar ) e viverá disso até que sua morte o separe da sua amada e escolhida profissão.

Mas voltando ao nosso abismo, digo que se você escolheu Arquitetura, provavelmente era daqueles que ficava desenhando no caderno nas aulas mais chatas e assim que entrava em algum lugar, imaginava-o como poderia ficar sem aquela parede ali, ou se tivesse uma janela aqui que melhorasse a ensolação ou até mesmo que pensou em fazer engenharia mas sempre detestou matemática.

Não se identificou com este perfil?! Acorda e muda de opção que ainda tá em tempo!

O meu vestibular foi um tanto confuso. A minha escolha pelo curso de Arquitetura veio da junção da minha prática ( desde pequeno) e gosto pelo desenho com o pequeno fato de ter um grande Q.I. ( Quem Indica, lerdo.) no mercado da construção civil. Estava decidido desde o primeiro ano do colegial, então com 15 anos de idade. Mais próximo ao vestibular porém eu perdi meu pai, que era o meu grande Q.I. Lógico que eu não ia mudar de decisão aos 45 do segundo tempo e lá estava eu fazendo minha inscrição para Fuvest e Mackenzie em 2007. Com 17 anos é difícil você se ver com 27, com 57 vivendo de arquitetura então é como chuva no deserto...quase impossível.

Mesmo sabendo desenhar, entrei num curso intensivo de desenho voltado para o vestibular ( Sim, pequena criança!! nós temos teste de desenho no vestibular) e dia 25/11/2007 estava eu sentado numa carteira com a temida prova da Fuvest na minha frente. Não passei da primeira fase por 2 pontos e, além disso a Fuvest deixou de ser o principal objetivo do vestibulando em arquitetura faz muito tempo ( num post futuro eu explico as razões, ok?!). No Mackenzie eu simplesmente marquei errado o dia da prova na agenda e...enfim. Já deu pra imaginar, certo?

Desanimado por estar segurando nas últimas raízes que antecedem a grande queda do tal abismo, folheando o jornal vejo que a Belas Artes ainda dispunha de vagas. E estava ali a chance de pegar minha asa delta. Depois de uma prova de múltipla escolha e teste de desenho, veio o alívio. Tinha passado e precisava fazer minha matrícula. Adeus colegial! Estava dentro de uma das melhores instituições do país até então. Escolhi período noturno para ter o dia livre para trabalho ( embora eu começasse a trabalhar apenas alguns meses depois ). E foi uma das melhores decisões dentro do curso. Se puder, faça o mesmo. Além de você aproveitar mais o dia, a classe é mais aplicada do que as turmas matutinas e vespertinas ( ÓBVIO que frequentamos bares, viajamos e nos divertimos igualmente. Mas na hora do "vamô vê" a galera da noite é mais centrada.)

Agora era apenas uma questão de tempo para me acostumar a minha nova rotina e parar pra pensar que eu estava mudando para outra etapa, deixando o cheiro de leite na pele para trás e adotando o cheiro de Malrboro e manchas de pó de grafite após as aulas...Talvez num primeiro instante, passe pela cabeça que você tenha sido salvo do abismo, mas não tem maturidade suficiente para ver que o abismo pode simplesmente não existir.

No próximo post, contarei um pouco sobre o começo das aulas e as primeiras impressões. Até lá!